Pré-sal e estaleiros catarinenses.
Pré-sal acelera construção de navios em estaleiros catarinenses
27/11/2009
Dois grandes estaleiros localizados em Itajaí (SC), o Detroit e o Itajaí, estão investindo U$S 25 milhões em modernização para atender a demanda da construção naval, que cresce com o estabelecimento da data (dezembro de 2010) de início da extração de petróleo e gás da camada do pré-sal. A Transpetro, subsidiária da Petrobras para o setor de transportes e logística, vai construir 49 navios petroleiros nas duas fases do Programas de Modernização e Expansão da Frota (Promef 1 e 2).
O Promef 1 vai gerar US$ 2,5 bilhões em investimentos e o Estaleiro Itajaí venceu a licitação de três navios gaseiros de 7.200 metros cúbicos. Para o Promef 2, o investimento previsto é de US$ 2 bilhões e o estaleiro é um forte candidato", disse o gerente técnico do Promef, Nilton Gonçalves.
O gerente da Transpetro afirma que, com as novas descobertas, possivelmente haverá um Promef 3. "Também estamos contratando diretamente o Metaltanque 6, do Estaleiro Itajaí", diz. Gonçalves. Segundo ele, outros estaleiros da região foram convidados a participar da licitação dos navios bunker de 4 mil metros cúbicos (para transporte de combustível para navegação).
A Petrobras encomendou 24 embarcações de apoio de um lote de 146 que será licitado; mais 40 navios-sondas e ainda um volume de navios que será afretado pela sua área de abastecimento. O presidente da Detroit Brasil, Carlos Frederico da Cunha Teixeira, afirma que os estaleiros de Itajaí não têm capacidade para construir grandes navios, embora seja o segundo pólo brasileiro do setor. "Mas as empresas estão aptas a fornecer equipamentos de apoio portuário (como rebocadores) e marítimo", diz.
A Detroit, de Itajaí, através do Programa Nacional de Renovação de Frota da Petrobras, vai fazer quatro navios, no valor de US$ 500 milhões e a Naveship, de Navegantes, possui contratos fechados para 13 navios orçados em mais de US$ 1 bilhão. Teixeira, que é também delegado do Sindicato da Indústria Naval de Itajaí e Navegantes (Sinconavin), afirma que a região concentra 30 empresas, sendo quatro envolvidas com a produção de aço. Somente os quatro grandes estaleiros absorvem 2.500 empregos diretos e o dirigente estima que este número de vagas aumente 50% em menos de um ano. Ele diz que já há escassez de mão-de-obra disponível para o chão de fábrica.
O diretor do Estaleiro Itajaí, Luiz Syder, afirma que neste ano investiu US$ 10 milhões, com recursos próprios e do Fundo da Marinha Mercante (FMM). O estaleiro vai construir três navios gaseiros, ao preço de US$ 120 milhões, e finalizar mais um para transporte de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), que já está em fase de construção. Os navios serão construídos com recursos do Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef) da Transpetro, A construção destes quatro navios vai exigir mão-de-obra qualificada. A estimativa é de que dos 250 funcionários atuais, o Estaleiro Itajaí passe para 1.500.
Segundo dados do Sindicato das Indústrias da Construção Naval de Itajaí e Navegantes (Sinconavin), Itajaí está na vice-liderança nacional em construções navais e o parque industrial do estuário do Rio Itajaí conta com aproximadamente três mil funcionários diretos. Atualmente a região conta com 28 estaleiros. Agora, Itajaí e Navegantes aguardam a expansão de três estaleiros de porte médio, a ascensão do Estaleiro Itajaí e mais dois estaleiros de madeira para a construção de pesqueiros oceânicos do Profrota Pesqueira, um programa de desenvolvimento da frota nacional oceânica do Governo Federal, que disponibiliza crédito para construção, aquisição, substituição e modernização de embarcações.
BNDES - O avanço da exploração de petróleo no pré-sal está gerando um boom em negócios na indústria naval. Na última quinta-feira, em palestra na Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) sobre o tema, o engenheiro do BNDES Rogério Londero Boeira informou que o banco já conta com cerca de 50 projetos aprovados para o setor naval, que, juntos, somam investimentos de US$ 5 bilhões. Segundo ele, o setor tende a crescer porque mais de 85% do transporte internacional, que hoje soma 6,7 bilhões de toneladas, é feito por navios. Isso significa grandes e crescentes oportunidades para fornecedores do setor.
O gerente do Estaleiro OSX em Santa Catarina, José Jorge Araújo, que também palestrou na Fiesc, disse que o estaleiro que será construído em Biguaçu tem previsão para entrar em operação a partir de dezembro de 2011. A OSX é do empresário Eike Batista que anunciou investimento US$ 1 bilhão no empreendimento que deve gerar quatro mil empregos diretos.
Assessoria de Comunicação do Gabinete da senadora Ideli Salvatti (PT/SC)
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